domingo, 12 de maio de 2013

Etnografia do Amor







To the wonder

Em a Árvore da Vida as perguntas eram :

"Qual o sentido do sofrimento?" "Qual o sentido da perda?". Naturalmente, a estas questões eram subjacentes outras, "porque permite isto Deus e qual o consolo que nos dá a fé".

Malick, na minha opinião, busca uma origem antropológica na criação do Universo, o Big Bang, veiculada nos dinossauros. 

Um conjunto inesquecível  de imagens mostrando o cinema no século XXI. Escavaca o olhar da nossa civilização cristã naquela luta da relação do Homem enquanto Pai e Filho, Mãe e Irmão. Uma luta malfadada.

Por último, o fim da vida terrena e a reconciliação no céu.  Tenho ideia, nunca li a bíblia, mas de por lá encontrarmos, algures, a promessa que no céu é o lugar onde Deus nos enxugará todas as lágrimas.

A Árvore da Vida  foi, na minha opinião, uma fabulosa viagem pela história da vida e dos seus mistérios, que culmina na busca pelo amor altruísta e o perdão.

Malick oferece-nos, nem mais nem menos que, uma etnografia do amor. O sujeito é o amor numa construção longa de 3 horas. 

Terence engendra uma deliciosa narrativa, com menos efeitos cinematográficos que no anterior registo, mas repleto de imagens  e metaforas.

É uma prática, a do amor, que se inicia numa "quase" memória zero e cresce.

“Trouxeste-me para a vida;
Em paz para sempre;
Rumo à maravilha;”

Absorve-nos, é introspectivo

“O amor torna-nos sós;
Fazer o caminho a dois
Os nossos interferem em nosso favor
“Casa com ela. Ela tem as mãos lindas.
E serás o meu padrasto”

Revemo-nos ou como atores ou como observadores (expectantes)

“Ele amou-a e tornou-a encantadora;
Era uma avalanche de ternura;
O mundo está longe”

O amor é tragédia por definição. Ele decresce.

“Se me tivesse pedido para ficar eu tinha ficado;
O tempo parecia que não existia;
O SEMPRE DUROU O NOSSO MOMENTO;”

Quando os resultados se questionam

“Prefiro uma fantasia do que a vida que levava antes;
Já não posso dar-me ao luxo de cometer erros com o amor;”

Se re-equacionam-se

“Voltei ao passado e já não me sinto lá bem;
O amor pensou que o conhecia, afinal nunca o tinha visto;
O invisível está sempre presente e faz chorar;”

Quando o eterno é efémero

“no exacto momento que trocámos alianças
Percebemos que tinha chegado ao fim;
Que não existe sempre;

Não termina
“A vida é um sonho e um sonho não se falha;
 Sou duas, uma cheia de amor por ti e outra,
 A que me empurra para baixo da Terra;
o amor que nos ama;”


 O AMOR é sujeito. Quem já esteve  apaixonado tem neste filme um exercício inteletual com o qual se sentirá familiarizado.  Arrebatamento; mas sacrifíicio e entrega numa alusão a um amor abençoado por Deus ( personificado num padre e nas suas homilias). 

Introduz e retira as crianças, os filhos, de forma a não interferirem no discurso. Elas não fazem parte deste amor.

Amor que se situa entre: a ansiedade das duas mulheres em viver este sacrifíicio do amor ;  e a indiferença do personagem masculino, que mantém em aberto as opções distanciando-se do amor divino. 

Mostra-se, também, nas  dúvidas da personagem masculina do padre quando  questiona a sua vocação, quando questiona a presença de Deus, quando observa a miséria da doença e da pobreza, de prisioneiros e viciados em drogas.

A verdade é que o personagem masculina acaba só e o padre reconfortado com Deus. Olha a Humanidade como feita por Deus. Deus que está em nosso redor, e o amor é a caridade que oferecemos  aos que sofrem. E ou aceitamos esse dogma ou não existe amor.

Uma etnografia e não a essência do amor, porque  é um filme de Malick a Deus.
cs




4 comentários:

CCF disse...

Gosto muito dele, fascina-me o modo como filma e como introduz a voz off...estou desejando de ir ver este, não obstante as criticas negativas.
~CC~

cs disse...

Quando for comente comigo. Também gosto da voz off. :)

via disse...

Do Malick guardo uma má recordação de um filme insuportável do qual saí a meio. Barreira invisível. há quem diga que se ama ou odeia, pertenço ao segundo grupo. o amor é um tema infinitamente sedutor, dito e redito e ainda tudo para dizer. gosto da forma desassombrada do texto

cs disse...

via

gosto muito de T.Malick. Da sua luta entre filósofo (que o é) e produtor de cinema (que o é, também).

Gosto muito dos 20 anos que o separaram entre dois filmes. Esse The Thin Red Line, é duro porque dura é a descrição de James Jones.

Aprendi uma coisa nos filmes de Malick. Nunca ir ver um filme sem antes ler algumas criticas bem fundamentadas.

vou enviar-lhe um link que me parece interessante sobre The Thin Red Line