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A mostrar mensagens com a etiqueta O tacto reside nos terminais nervosos da pele

Eco, Umberto

"Oh, tantos livros! Leu-os todos?". O que responde? Há três respostas.  A primeira é: "Li muitos mais".  A segunda é: "Não li nenhum, senão porque os guardaria?".  E a terceira é: "Não, mas tenho de os ler na próxima semana".  Uma biblioteca não é um repositório dos livros que já lemos. É também o lugar onde guardamos os livros que iremos ler.

November Rain

When I look into your eyes
I can see a love restrained
But darlin' when I hold you
Don't you know I feel the same
'Cause nothin' lasts forever
And we both know hearts can change
And it's hard to hold a candle
In the cold November rain
We've been through this
Such a long long time
Just tryin' to kill the pain
yeahh..
But lovers always come
And lovers always go
And no one's really sure
Who's lettin' go today
Walking away
If we could take the time
To lay it on the line
I could rest my head
Just knowin' that you were mine
All mine
So if you want to love me
Then darlin' don't refrain
Or I'll just end up walkin'
In the cold November rain

Do you need some time
On your own
Do you need some time
All alone
Everybody needs some time
On their own
Don't you know you need some time
All alone

I know it's hard to keep an open heart
When even friends seem out to harm you
But if you could heal a broken heart
Wouldn't time be out to charm you

Sometimes I need some time
O…

Nómada solidão

Justyna Kopania
pernoitas em mim e se acaso te toco a memória… amas ou finges morrer
pressinto o aroma luminoso dos fogos escuto o rumor da terra molhada a fala queimada das estrelas
… é noite ainda o corpo ausente instala-se vagarosamente envelheço com a nómada solidão das aves
já não possuo a brancura oculta das palavras e nenhum lume irrompe para beberes…
Al Berto

Os meus verdes, a tuberculose deles

cs
Pneumotórax Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos. A vida inteira que podia ter sido e que não foi. Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico: — Diga trinta e três. — Trinta e três… trinta e três… trinta e três… — Respire.
— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado. — Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax? — Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

Manuel Bandeira


Mais silêncios

Dense wood - Don Resnick (b.1928)


"(...) vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi minha busca cega e secreta. De como entrei naquilo que existe entre o número um e o número dois, de como vi a linha de mistério e fogo, e que é linha sub-reptícia. Entre duas notas de música existe uma nota, entre dois fatos existe um fato, entre dois grãos de areio  por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir - nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo, e a respiração contínua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio."
Lispector , 1986:94 

Sábados

Igor Morsky

Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém. Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível; com ele se entretém e se julga intangível.

Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu, sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito, que o respirar de um só, mesmo que seja o meu, não pesa num total que tende para infinito.
Sei que as dimensões impiedosas da Vida ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo, nesta insignificância, gratuita e desvalida, Universo sou eu, com nebulosas e tudo.
António Gedeão

Por debaixo da pele!

O amor assusta o medo. As palavras que te digo vêm de longe. Passam por mim como se não fosse ninguém. São flechas a rasgar o ar em volta. As palavras que te escrevo são tuas muito antes de serem minhas. És tu que as escreves em mim. Por debaixo da pele.
Pedro Paixão

Simplesmente a consumir O2

Outros eus

quantos sou (?)
é o que me pergunto...
e me reconheço frágil
ou me desconheço forte,
indo para o sul
sempre buscando o norte,
sou poeta e professor,
sou pai e filho,
irmão, amigo e amor,
sou palhaço
e o que não sabe o que faço;
sou vários,
mas não sou todos,
sou muitos,
e não sei tudo.
talvez não haja cadeira suficiente
para meus eus.

Igor Ravasco

Woolf, V.

A verdade é que eu  gosto sempre das mulheres. Gosto da falta de convencionalismo delas. Gosto da integridade delas. Gosto do anonimato delas.
Virginia Woolf

Grãos!

Quero dar-te a coisa mais pequenina que houver
bago de arroz
grão de areia
semente de linho
suspiro de pássaro
pedra de sal
som de regato
a coisa mais pequena do mundo
a sombra do meu nome
o peso do meu coração na tua pele.

Rosa Lobato de Faria

Revista Bula

excitação biológica, pp.039 de 533

"Quantas Línguas existem? As suficientes para não as conseguirmos contar. E em cada uma delas se pensa. Mais: em cada uma delas se pensa como em nenhum sítio, neste caso, como em nenhuma Língua.
Nesse sentido, a questão da tradução pode ser vista num âmbito mais físico, mais biológico, como na abordagem de Nietzsche: O que é mais difícil de traduzir de uma língua para outra é o ritmo do seu estilo, (...) ou, para me exprimir mais fisiologicamente, o ritmo médio do seu "metabolismo".
Cada Língua é um percurso de excitações biológicas; no entanto, mais do que se pensar - visão perigosa - em organismos que determinam certas Línguas, devemos pensar no inverso: a Língua, a forma como as palavras se dizem, determina o matabolismo. Uma palavra dita resulta e é resultado de um esforço fisiológico, esforço aperfeiçoado geração após geração, sendo que agora a sua dificuldade não se nota.
É importante assinalar que se investiga -quando se investigam ideias - numa Língua.
Cada Língua po…

Letras de Luisa Sobral

Todo o poeta ou escultor
Todo o actor ou escritor
Sonha um dia amar assim
Sonha ter alguém para si Todo o cantor, compositor
Largava tudo por este amor
Por um dia amar assim
Por um beijo num banco de jardim Mas o amor não é para qualquer um
Ser artista não é uma vantagem
Os artistas amam um dia
Vendo amor apenas de passagem Quando o poeta sentir a dor
Da mais antiga história de amor
Só então vai entender
Porque Inês amou até morrer Mas o amor não é para qualquer um
Ser artista não é uma vantagem
Os artistas amam um dia
Vendo amor apenas de passagem Vendo amor apenas de passagem ...

A vida de Adele ou azul, a cor mais quente

“L'amour est quelque chose de trop abstrait et d'indiscernable. Il est dépendant de nous perçu et vécu par nous. Si nous n'existions pas, il n'existerait pas. Et nous sommes tellement changeants... Alors l'amour ne peut que l'être aussi. L'amour s'enflamme, trépasse, se brise, nous brise, se ranime...: nous ranime. L'amour n'est peut-être pas éternel mais nous, il nous rend éternels... Par-delà notre mort, l'amour que nous avons éveillé continue d’accomplir son chemin.” 
― Julie MarohLe bleu est une couleur chaude






Tudo começou com Julie Maroh, autora da BD que deu origem ao filme. Porém, não existe filme sem os comentários e relatos que envolveram a rodagem do filme.
Nem sei se existe galardão sem os comentários. Claro que existe, para os cinéfilos.
Entre o olhar na passadeira (onde de forma perfeita Adéle mostra aquilo que será daqui para a frente a imagem do “amor à primeira vista”, a luz) e que resulta de uma enormidade de horas de filmagem…

Anatomia de vontades

UM AMOR

Aproximei-me de ti; e tu, pegando-me na mão, 
puxaste-me para os teus olhos 
transparentes como o fundo do mar para os afogados. 
Depois, na rua, 
ainda apanhamos o crepúsculo.
As luzes acendiam-se nos autocarros; um ar
diferente inundava a cidade. Sentei-me
nos degraus do cais, em silêncio.
Lembro-me do som dos teus passos,
uma respiração apressada, ou um princípio de lágrimas,
e a tua figura luminosa atravessando a praça
até desaparecer. Ainda ali fiquei algum tempo, isto é,
o tempo suficiente para me aperceber de que, sem estares ali,
continuavas ao meu lado. E ainda hoje me acompanha
essa doente sensação que me deixaste como amada
recordação.

Nuno Júdice, 'A Partilha dos Mitos'