quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Lucy, cujo ancestral é um tetrápode




Esta coisa que se chama cérebro é uma entidade que existe no universo, muito complexa, pesa pouco mais de quilo e meio e faz de nós únicos. Andam por aí toneladas de neurolixo, e de neuro sem ser lixo, uma enormidade de informação sobre esse “órgão do pensamento” que nos fascina. Talvez porque o nosso grande fascínio sejamos nós mesmos.
Nem sei muito bem quem matou aquela ideia de dualidade mente-cérebro, mas a verdade é que todos pensamos neste órgão como algo uma  complexo e não descolamos, nunca, da ideia de pensamento.
A imagética do pensamento surge-nos sempre como uma amálgama de estradas (os neurónios) que se cruzam e entrecruzam. Fixamos sempre que eles, os neurónios, são milhões, assim como, as estrelas da Via Láctea. Esta ideia de espaço-infinito entranhou-se em nós, um cérebro do tamanho da Via Láctea. O mito dos 10% que conhecemos, conforta-nos mas sobretudo confronta-nos , passo a passo, com a nossa enorme ignorância. Credíveis estudos mostram, claramente, que a alma pode ser um mal entendido, Dick Swaabe é disso um exemplo, na obra Somos os nossos cérebros. Justifica o amor que os humanos têm à ideia de alma com o medo da morte mas sobretudo a ideia arrogante de que somos tão importante que algo de nós deve permanecer para além da nossa morte.
É facto, o nosso cérebro envelhece com a idade como envelhecem as nossas artérias. Lembro-me, recorrentemente, que tenho a idade das minhas artérias, mas nunca admito que o meu cérebro envelhece no mesmo ritmo. Agarro-me com unhas e dentes a esta fantástica capacidade de plasticidade.
Foi de tudo isto que me lembrei com o filme Lucy  de Luc Besson. Gostei do desempenho da Johansson, mas eu gosto sempre. Os efeitos especiais remeteram-me para Terrence Malick e de como gosto dele, a trama , uma boa ideia, mal explorada e cheia de imperfeições. Aquele mito dos 10%, que podem ser 5% ou 50%, atabalhoado e sem explicação, faz de uma boa ideia um pouco mais que sofrível filme.

cs

2 comentários:

S disse...

Tenho tido alguma relutância em ver este filme.
Obrigada pela partilha de opinião.

um beijinho

cs disse...

S

é o meu olhar que sou uma crente na ciência :)