segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Os meus verdes, a tuberculose deles

















cs

Pneumotórax

Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três.
— Trinta e três… trinta e três… trinta e três…
— Respire.

— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

Manuel Bandeira


8 comentários:

maria franco disse...

Sanatório do Caramulo?
Uma tristeza a degradação do património, neste país.
Hoje andei numa zona nobre da
Baixa de Lisboa e os prédios a cair
aos bocados são muitos.
Manuel Bandeira, muito bem recordado
Vou pegar no livro, deu-me saudade
dos poemas que tantas vezes li.
Uma boa tarde.
M.Júlia

Anónimo disse...

Sanatório de Valongo.
Recuei 15 anos com esta descrição... Beijo
lua (

cs disse...

Maria Franco
Sim, Caramulo.

cs disse...

Luinha
Bjinho. Saudads.
Cs

Graça Pires disse...

Conheço a zona do Caramulo. Já merecia ser recuperada...
O poema de Manuel Bandeira é delicioso...
Beijo.

Petrus Monte Real disse...

Parece-me que se trata do Caramulo.
É triste o abandono a que foi votado!
Gostei muito.
A publicação destas fotos
poderá servir como uma "denúncia " da situação anómala
a que chegou a instância,
outrora,
destinada à recuperação da saúde
- parece um paradoxo! -

Grato pela partilha

cs disse...

Graça

bjinho

cs disse...

Petrus

obrigada. Não era minha ideia o abandono, antes um sofrimento efetivo daquilo que são os surtos , daquilo que são o desmantelar de pais e filhos, do que é a doença e o sofrimento quando a medicina não dá resposta etc.
Bem vindo