quarta-feira, 18 de junho de 2014

Pérolas encontrada nas redes!

"O que o teu corpo foi, não imaginas:
a juventude, a força, a agilidade,
a fantasia obscena, a intensidade
com que dos gestos se constrói prazer.
Mas isso foi em sonhos. Hei-de ver
teu corpo assim,ou como o possuí?
Ou hei-de vê-lo como ao longe o vi?
Ou como estátua, em lixo de ruínas?
Jacente dormirá, estendida e pura?
Mas como dormirá, se em mim não dorme
o tempo que a teu rosto ainda tritura?
Como nos mata esta velhice enorme!
Que vinha vindo entre nós dois, tão dura,
que melhor fora te tornar informe...
Ou sombra dúbia pela noite escura."
Jorge de Sena

1 comentário:

Graça Pires disse...

Um poema de Jorge de Sena, muito belo, mas tão lúcido que chega a ser cruel...
Abraço.