sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Manuel Alegre



Moonlight, 1901  Frank Weston Benson (1862- 1951)



«Há mortos que demoram a morrer
é inútil sepulta‑los eles voltam
demoram‑se por vezes numa sombra
num braço de cadeira ou no rebordo partido
de uma chávena. Ou então escondem‑se
em pequenas caixas sobre as mesas.
Há objectos que ficam cheios deles
são como o rosto transmudado dos ausentes
sua marca na casa e no efémero.

Por isso custa tanto retirar o prato e o talher
arrumar os fatos desfazer
a cama. Há mortos
que nunca mais se vão embora.
Há mortos que não param de doer.»

Requiem in Coimbra Nunca Vista

3 comentários:

Anónimo disse...

verdade!

cs disse...

Ao fim de 11 anos sei que é.

Graça Pires disse...

"Há mortos que não param de doer"...
Um poema sensível de um excelente poeta. Obrigada pela partilha.
Beijos.