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excitação biológica, pp.039 de 533




"Quantas Línguas existem? As suficientes para não as conseguirmos contar. E em cada uma delas se pensa. Mais: em cada uma delas se pensa como em nenhum sítio, neste caso, como em nenhuma Língua.

Nesse sentido, a questão da tradução pode ser vista num âmbito mais físico, mais biológico, como na abordagem de Nietzsche:
O que é mais difícil de traduzir de uma língua para outra é o ritmo do seu estilo, (...) ou, para me exprimir mais fisiologicamente, o ritmo médio do seu "metabolismo".

Cada Língua é um percurso de excitações biológicas; no entanto, mais do que se pensar - visão perigosa - em organismos que determinam certas Línguas, devemos pensar no inverso: a Língua, a forma como as palavras se dizem, determina o matabolismo. Uma palavra dita resulta e é resultado de um esforço fisiológico, esforço aperfeiçoado geração após geração, sendo que agora a sua dificuldade não se nota.

É importante assinalar que se investiga -quando se investigam ideias - numa Língua.

Cada Língua pode ser entendida como sendo determinada por um ritmo corporal, uma inteligência física. O som também faz pensar, promove associações, ligações, etc."

Gonçalo M. Tavares, Atlas do corpo e da imaginação. 
Teoria, fragmentos e imagens. 2013



Comentários

via disse…
ESTE LIVRO CONTINUA A SEDUZIR-ME E A CAUSAR-ME PERPLEXIDADE. PARECE ASSIM UM MANUAL ANTIGO E AO MESMO TEMPO É TUDO MUITO MODERNO. É UMA OBRA NOTÁVEL, PARA IR LENDO AOS BOCHECHOS!!

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