terça-feira, 12 de novembro de 2013

Anatomia de vontades



UM AMOR

Aproximei-me de ti; e tu, pegando-me na mão, 
puxaste-me para os teus olhos 
transparentes como o fundo do mar para os afogados. 
Depois, na rua, 
ainda apanhamos o crepúsculo.
As luzes acendiam-se nos autocarros; um ar
diferente inundava a cidade. Sentei-me
nos degraus do cais, em silêncio.
Lembro-me do som dos teus passos,
uma respiração apressada, ou um princípio de lágrimas,
e a tua figura luminosa atravessando a praça
até desaparecer. Ainda ali fiquei algum tempo, isto é,
o tempo suficiente para me aperceber de que, sem estares ali,
continuavas ao meu lado. E ainda hoje me acompanha
essa doente sensação que me deixaste como amada
recordação.

Nuno Júdice, 'A Partilha dos Mitos'

2 comentários:

Anónimo disse...

"... partiste, mas deixaste um rasto...
De mim levaste um aroma, uma asa...uma libelinha rente à água, numa manhã de brumas...e pensar assim me faz feliz...porque sei...que amei...e sei... que amaste..."

cs disse...

Anonimo

Fez copy paste . Quando assim é deve.se colocar o autor. Faz toda a diferença e permite não descontextualizar. De outra forma não passa de um conjunto de palavras.

Obrigada