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Anatomia de vontades



UM AMOR

Aproximei-me de ti; e tu, pegando-me na mão, 
puxaste-me para os teus olhos 
transparentes como o fundo do mar para os afogados. 
Depois, na rua, 
ainda apanhamos o crepúsculo.
As luzes acendiam-se nos autocarros; um ar
diferente inundava a cidade. Sentei-me
nos degraus do cais, em silêncio.
Lembro-me do som dos teus passos,
uma respiração apressada, ou um princípio de lágrimas,
e a tua figura luminosa atravessando a praça
até desaparecer. Ainda ali fiquei algum tempo, isto é,
o tempo suficiente para me aperceber de que, sem estares ali,
continuavas ao meu lado. E ainda hoje me acompanha
essa doente sensação que me deixaste como amada
recordação.

Nuno Júdice, 'A Partilha dos Mitos'

Comentários

Anónimo disse…
"... partiste, mas deixaste um rasto...
De mim levaste um aroma, uma asa...uma libelinha rente à água, numa manhã de brumas...e pensar assim me faz feliz...porque sei...que amei...e sei... que amaste..."
cs disse…
Anonimo

Fez copy paste . Quando assim é deve.se colocar o autor. Faz toda a diferença e permite não descontextualizar. De outra forma não passa de um conjunto de palavras.

Obrigada

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