sexta-feira, 26 de julho de 2013

Cora Coralina










“Meus amigos me esqueceram. As revistas que apareceram em Goiânia, jamais me pediram uma crônica sequer. Eu poderia ter colaborado e muito. Havia muita coisa a ser escrita dentro da história de Goiás. Preferiram encomendar crônicas de fora, Eneida e outros nomes, que falavam da Guanabara. Eu fui ficando de lado, angustiada, aborrecida, frustrada. Por isso dediquei-me de corpo inteiro a fabricação de doces, sem deixar de escrever meus contos e poemas. É uma espécie de revolta que tenho comigo. Escrevi bastante naquela época, mas nunca bati na porta de ninguém para a publicação de meus trabalhos. (...) Ai está o motivo de meu apego aos doces, é uma réplica a esse alheamento que os jornais fizeram da minha pessoa literária.”


Cora Coralina

3 comentários:

André Bessa disse...

Olá!

que bonito esse texto-desabafo de Coralina – que tive o indiscritível prazer de conhecer em seus últimos anos de vida – eu não o conhecia. Bonito pela maneira com que flui seu pensamento, a formulação em palavras de algo que, certamente, lhe devia doer muito no coração.

Triste a sociedade que enaltece tantos autores estrangeiros que nada dizem com suas obras, e esquecem por completo os reais valores saídos dela mesma, das suas raízes, da sua História.

Magnífico depoimento da inesquecível Cora. Obrigado por tê-lo dividido, um abraço.

cs disse...

André

seja bem vindo :)

Angela disse...

É assim esta sociedade que construímos com seus valores pobres e interesseiros.
Lindo este desabafo, simples e puro.
Obrigada por reperti-lo, não o conhecia.