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24-02-2013- continuo a gostar de José Gomes Ferreira





Se eu pudesse iluminar por dentro as palavras de todos os dias
para te dizer, com a simplicidade do bater do coração,
que afinal ao pé de ti apenas sinto as mãos mais frias
e esta ternura dos olhos que se dão.

Nem asas, nem estrelas, nem flores sem chão
- mas o desejo de ser a noite que me guia
e baixinho ao bafo da tua respiração
contar-te todas as minhas covardias.

Ao pé de ti não me apetece ser herói
mas abrir-te mais o abismo que me dói
nos cardos deste sol de morte viva.

Ser como sou e ver-te como és:
dois bichos de suor com sombra aos pés.
Complicações de luas e saliva.

Comentários

teardrop disse…
Ora aí está um autor que também gosto bastante!
Numa das muitas manifestações a seguir ao 25 de Abril de 1974, vi o poeta na Av. Fontes Pereira de Melo. Que emoção, e que cabeleira branca de neve! Era jovem e tinha-o lido muito. Passados tantos anos este título podia ser dito por mim: continuo a gostar de José Gomes Ferreira.

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O final de 2017

às vezes apetece voltar. Sim, voltar e escrever  Escrever é um processo que funciona de  diferentes maneiras  Pode ser um grito
um sufoco
mas é sempre egoísta

é egoísta usar as palavras para interpretar usar as palavras para purgação usar as palavras
para direcionarmos a atenção para nós

escrever é morrer devagar
lentamente. É despedida e é tristeza