Existem blogues por onde passo, dia após dia. Que os
guardo só para mim até não poder mais. A vontade de os partilhar vai
convivendo, nem sempre amigavelmente, com a vontade de os guardar. Gosto de os pensar só meus. Tenho muitas
empatias virtuais, confesso. Uma enorme dificuldade de enumerar quem gosto
mais, quem levaria para uma ilha on line e outras.
Bem , mas este apontamento não era, inicialmente , para
conversas destas. Quero partilhar com vocês, poucos que por aqui vão
teimosamente passando, um desses blogues com quem vou convivendo,
meses a fio, antes de me aventurar a deixar um comentário que seja.
Sim! qualquer dia escrevinharei algo sobre a minha
absoluta timidez em deixar um comentário em certas caixas porque qualquer coisa
que possa comentar nunca conseguirá fazer verdadeira fé do que quero dizer e
até, eventualmente, poderá estragar a
narrativa.
Bem, mas sem mais delongas (amo este termo - delongas)
aqui vos deixo um link para um blogue
que gosto :)
Olhava para ela. O desejo que me acalentara e mantivera vivo realizara-se. Ela voltou para os meus braços. Mas não era a ela que eu desejava. Era a outra ela que existiu, em mim, através dela. Agora sabia que nunca poderia ser minha. Sabia que nem eu próprio me poderia entregar. Não era eu que ela queria. Era a outro que ela recriara em mim. Existimos nos outros em milhões de versões diferentes. Quantos Andrés percorrem as ruas em mim e eu não vejo? Foram outros nós – que nós desconhecíamos – que talvez se tenham amado.
Continuava a desejar a mulher criada por mim em mim, num momento impreciso e sublime. Ela foi o corpo impossível no qual eu esculpi a minha obra. Mas naquele momento conhecia o embuste. Olhava para ela e sentia desejo. E repulsa. (...)
e vá lendo em "Ainda que os Amantes se Percam..."
Comentários
beijos,
obrigada eu pela visita. Volte
um blogue onde acho que se pensa :))
gosto daquele desanotomizar as situações, reconstruindo-as e voltando a colocá-las no lugar. Escrita simples de pensamentos estruturados, sem ausência de procura :)
Bjs.