sexta-feira, 15 de junho de 2012

Translações dos nossos eus

Existem blogues por onde passo, dia após dia. Que os guardo só para mim até não poder mais. A vontade de os partilhar vai convivendo, nem sempre amigavelmente, com a vontade de os guardar.  Gosto de os pensar só meus. Tenho muitas empatias virtuais, confesso. Uma enorme dificuldade de enumerar quem gosto mais, quem levaria  para uma ilha on line e outras.
Bem , mas este apontamento não era, inicialmente , para conversas destas. Quero partilhar com vocês, poucos que por aqui vão teimosamente passando,   um desses blogues com quem vou convivendo, meses a fio, antes de me aventurar a deixar um comentário que seja.
Sim!  qualquer dia escrevinharei algo sobre a minha absoluta timidez em deixar um comentário em certas caixas porque qualquer coisa que possa comentar nunca conseguirá fazer verdadeira fé do que quero dizer e até, eventualmente,  poderá estragar a narrativa.
Bem, mas sem mais delongas (amo este termo - delongas) aqui vos deixo um link para um blogue que gosto  :)




 Olhava para ela. O desejo que me acalentara e mantivera vivo realizara-se. Ela voltou para os meus braços. Mas não era a ela que eu desejava. Era a outra ela que existiu, em mim, através dela. Agora sabia que nunca poderia ser minha. Sabia que nem eu próprio me poderia entregar. Não era eu que ela queria. Era a outro que ela recriara em mim. Existimos nos outros em milhões de versões diferentes. Quantos Andrés percorrem as ruas em mim e eu não vejo? Foram outros nós – que nós desconhecíamos – que talvez se tenham amado.


Continuava a desejar a mulher criada por mim em mim, num momento impreciso e sublime. Ela foi o corpo impossível no qual eu esculpi a minha obra. Mas naquele momento conhecia o embuste. Olhava para ela e sentia desejo. E repulsa. (...)


e vá lendo em "Ainda que os Amantes se Percam..."

7 comentários:

André disse...

Ora, não é assim tão difícil comentar! Uma pessoa habitua-se; uma pessoa habitua-se a tudo. Obrigado pelas visitas «anónimas», e obrigado pela citação.

mfc disse...

Um blog de que se gosta... ( a mais o teu...!).
beijos,

Angela disse...

me encantei com o texto do André, embora ele sonhe com um Brasil inexistente - para mim, ao menos.

cs disse...

André
obrigada eu pela visita. Volte

cs disse...

mfc
um blogue onde acho que se pensa :))

cs disse...

Angela
gosto daquele desanotomizar as situações, reconstruindo-as e voltando a colocá-las no lugar. Escrita simples de pensamentos estruturados, sem ausência de procura :)

André disse...

Angela, só «conheço» o Brasil dos meus autores dilectos: Jorge Amado, João Ubaldo Ribeiro, Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, Dalton Trevisan, Manuel Bandeira... E o Brasil dos amigos e conhecidos Brasileiros. E o Brasil de alguns familiares afastados que para aí foram muito antes de eu ter nascido, e aí morreram. Suponho que não exista «um» Brasil, como não existe «um» Portugal. Os países, como as pessoas, são múltiplos, multifacetados... Os países, como as pessoas, por vezes transmitem um imagem que não corresponde à realidade. O que a mim sempre me impressionou, nos Brasileiros que conheço e conheci, é a felicidade que irradiam, apesar das vidas aparentemente tão difíceis...

Bjs.