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Leituras para quando tiver tempo

Não sei se me apetece escrever a tese ou apenas adiar. Está a construir-se um texto  aos soluços. Amei a investigação, o trabalho de campo, a metodologia. O texto está custoso e parece que cristalizei. Mas quem tem filhos tem de levar o barco ao fim,  terminar o que se começa é imperioso  e dar o exemplo de persistência e essas lérias todas que os estudiosos escrevem e que não me arrisco a contradizer.
Também parece que esta sensação de vazio e de que o que se escreve nunca está acabado é normal. 









Posto isto, apetecia-me, neste momento, dedicar-me a ler uma autora chamada Cristina Carvalho. 


"Porque esteve tanto tempo sem escrever romances e/ou contos e porque recomeçou?
A vida não me proporcionou grandes voos, grandes viagens na escrita e vivi sempre com esse imenso desejo de escrever e com a imensa amargura de não ter a tranquilidade necessária para o fazer. Mas também sempre soube que, se não morresse pelo caminho, ainda havia de escrever tudo o que sempre quis. É isso mesmo que estou a fazer agora. E não digo assim: estou a tentar fazer agora. Porque eu não estou a tentar. Eu estou mesmo a escrever romances e histórias, todos os dias, todos os dias da vida. "


Li um texto dela no Rerum Natura e a entrevista acima e era o que faria agora. Ia , ali à Bertrand, comprar o livro :)

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