terça-feira, 24 de abril de 2012

25 de Abril de 2012


“O estado de exceção apresenta-se, nessa perspectiva, como um patamar de indeterminação entre democracia e absolutismo.”
Giorgio Agamben


Recentemente vi o documentário de Ricardo Seiça, “O Estado de Excepção”, onde o autor associa o termo à luta do CITAC antes do 25 de Abril sobretudo.

Fiquei com vontade de aprofundar o conceito  e o dia 25 de Abril de 2012 parece-me bem para voltar a Agamben e à sua definição do “Estado de Exceção”.

Utiliza-o Agamben quando estuda os momentos considerados antes de “exceção” – de emergência, de sítio, porque não de guerra? – onde o Estado utiliza de dispositivos legais precisamente para suprimir os seus próprios limites e os da sua atuação, a legalidade e os direitos dos cidadãos. 

O “Estado de excepção” surge como a legalidade daquilo que não pode nem deve ter uma forma legal. E o que era uma “exceção”, este poder de que o estado se apropria , para lá de todas as normas e regulamentações, hoje não é excepcional mas o padrão em que alguns estados se arvoram sustentados na máxima que é manter a ordem. Este “Estado” tornou-se agora o paradigma onde se legitima a suspensão dos direitos como se fosse algo inevitável.

Bom dia 25 de Abril de 2012.
Não é um dia feliz para os portugueses com exceção, claramente, de uma classe politica podre e um paradigma gasto.

:(

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