sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Tenho muito carinho por ti!

Numa recente conversa entre um grupo de pessoas ouvi alguém dizer “tenho muito carinho por ti”. No contexto dessa conversa o que me ocorreu, imediatamente, foi um trabalho fotográfico , de um artista brasileiro Gil Vicente, intitulado “os Inimigos”. Claramente, não existe carinho mas crueldade em certas frases.

Daí foi um salto para as minhas viagens pelas representações visuais e os seus contextos.

Neste século de imagens seria fácil lastimarmo-nos e dizer aonde isto vai chegar. Alguns artistas sempre necessitaram de alguma polémica para lhe alicerçarem algum êxito. Nos escândalos o que sempre me pareceu constrangedor foi a leitura que faço destes artistas.

A verdade é que o tema da violência nas obras de arte não é um exclusivo da nossa época. Existiu sempre este tipo de representação. Caravaggio é um dos que mostra a violência de forma singular.

o episódio bíblico da decapitação de Holofernes

Sabe-se que Caravaggio era um homem violento – e sabe-se que em duelos matava os inimigos e não em pinturas como o sr. Gil Vicente, Caravaggio fazia-o na vida real - os seus defensores a justificam a obra como realizada numa época em que tinha a cabeça a prémio, precisamente sobe a acusação de assassínio.

“Davi e Golias” é hoje uma das obras de arte considerada mais violenta.

Davi ergue pelos cabelos a cabeça decapitada de Golias. A cabeça decepada de Golias é o autorretrato de Caravaggio. Aqui está toda a originalidade e espírito macabro que lhe confere particularidade, numa admissão da sua culpa e quase que oferecendo a sua cabeça

É verdade que se admite que se uma obra nos causa alguma reacção, boa ou má, é porque é Arte. Eu admito que certas atitudes quando me causam determinadas “impressões” determinam o carácter de determinados indivíduos.

1 comentário:

mfc disse...

O mundo... é uma história de violência constante!