quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Historicidade/historiografias

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Este Homem deve ter sido profundamente irritante.
Mas tem uma escrita que encanta.
Difícil, parágrafos enormes, e só quem escreve muito bem o pode fazer assim.
Uma companhia para os próximos meses.

"-Pois bem, imagina que eu teria tanto trabalho e tanto prazer a escrever, acha que me teria obstinado em fazê-lo, sem olhar nem para um lado nem para outro, se não preparasse - com a mão um tanto febril- o labirinto onde me aventurar, onde deslocar a minha posição, abrir-lhes subterrâneos, aprofundá-la longe de si própria, descobrir-lhe inclinações que resumem e deformam o seu percurso, ou perder-me e aparecer por fim diante de olhos que nunca teria de encontrar de outro modo? Há mais quem , como eu, escreva para deixar de ter rosto. Não me perguntem quem sou e não me digam que continue a ser o mesmo: tal é a moral de registo civil, que governa os nossos papeis.Que nos deixe em liberdade quando se trata de escrever."

Michele Foucault in "A ARQUEOLOGIA DO SABER"

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3 comentários:

Anónimo disse...

No fundo a net respondeu aos anseios do Sr. foucault...anónimos em total liberdade é o que não falta por aqui...

Ass. Anónima :-)

Bípede Falante disse...

Grande trecho. Grande desejo. A gente não quer se livrar só das máscaras, a gente quer se livrar de ter de ser e ter uma marca.

cirandeira disse...

Já lí algures que os gênios, os
grandes escritores e poetas e pintores são insuportáveis:cheios de idiosincrasias! Mas pelos menos
eles sempre nos acrescentam muita
coisa boa. Foulcaut é um deles, muito bom.

Beijos -:)