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Deve ser o último tempo

Deve ser o último tempo
A chuva definitiva sobre o último animal nos pastos
O cadáver onde a aranha decide o círculo.
Deve ser o último degrau na escada de Jacob
E último sonho nele
Deve ser-lhe a última dor no quadril.
Deve ser o mendigo à minha porta
E a casa posta à venda.
Devo ser o chão que me recebe
E a árvore que me planta.
Em silêncio e devagar no escuro
Deve ser a véspera. Devo ser o sal
Voltado para trás.
Ou a pergunta na hora de partir.


 

Daniel Faria
 de Explicação das Árvores 
e de Outros Animais
1998

Comentários

Graça Pires disse…
É impossível ler com indiferença qualquer poema de Daniel Faria. Obrigada por partilhar aqui.
Beijo.
Anónimo disse…
Saudades de te ler ....
cs disse…
Graça
concordo.
bjocas para si :).
cs disse…

anónimo
quem diz?
cs disse…

anónimo
quem diz?
cs disse…

anónimo
quem diz?
cs disse…

anónimo
quem diz?

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