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Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta O tacto reside nos terminais nervosos da pele

Eco, Umberto

"Oh, tantos livros! Leu-os todos?". O que responde? Há três respostas.  A primeira é: "Li muitos mais".  A segunda é: "Não li nenhum, senão porque os guardaria?".  E a terceira é: "Não, mas tenho de os ler na próxima semana".  Uma biblioteca não é um repositório dos livros que já lemos. É também o lugar onde guardamos os livros que iremos ler.

Deve ser o último tempo

Deve ser o último tempo A chuva definitiva sobre o último animal nos pastos O cadáver onde a aranha decide o círculo. Deve ser o último degrau na escada de Jacob E último sonho nele Deve ser-lhe a última dor no quadril. Deve ser o mendigo à minha porta E a casa posta à venda. Devo ser o chão que me recebe E a árvore que me planta. Em silêncio e devagar no escuro Deve ser a véspera. Devo ser o sal Voltado para trás. Ou a pergunta na hora de partir.   Daniel Faria  de Explicação das Árvores  e de Outros Animais 1998

November Rain

When I look into your eyes I can see a love restrained But darlin' when I hold you Don't you know I feel the same 'Cause nothin' lasts forever And we both know hearts can change And it's hard to hold a candle In the cold November rain We've been through this Such a long long time Just tryin' to kill the pain yeahh.. But lovers always come And lovers always go And no one's really sure Who's lettin' go today Walking away If we could take the time To lay it on the line I could rest my head Just knowin' that you were mine All mine So if you want to love me Then darlin' don't refrain Or I'll just end up walkin' In the cold November rain Do you need some time On your own Do you need some time All alone Everybody needs some time On their own Don't you know you need some time All alone I know it's hard to keep an open heart When even friends seem out to harm you But if you could heal a broken heart Wouldn't time be out to...

Nómada solidão

Justyna Kopania pernoitas em mim e se acaso te toco a memória… amas ou finges morrer pressinto o aroma luminoso dos fogos escuto o rumor da terra molhada a fala queimada das estrelas … é noite ainda o corpo ausente instala-se vagarosamente envelheço com a nómada solidão das aves já não possuo a brancura oculta das palavras e nenhum lume irrompe para beberes… Al Berto

Os meus verdes, a tuberculose deles

cs Pneumotórax Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos. A vida inteira que podia ter sido e que não foi. Tosse, tosse, tosse. Mandou chamar o médico: — Diga trinta e três. — Trinta e três… trinta e três… trinta e três… — Respire. — O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado. — Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax? — Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino. Manuel Bandeira

Mais silêncios

Dense wood - Don Resnick (b.1928) "(...) vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi minha busca cega e secreta. De como entrei naquilo que existe entre o número um e o número dois, de como vi a linha de mistério e fogo, e que é linha sub-reptícia. Entre duas notas de música existe uma nota, entre dois fatos existe um fato, entre dois grãos de areio  por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir - nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo, e a respiração contínua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio." Lispector , 1986:94 

Sábados

Igor Morsky Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém. Cada um tem o seu,  pessoal e intransmissível;   com ele se entretém e se julga intangível. Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu,   sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito,   que o respirar de um só, mesmo que seja o meu, não pesa num total que tende para infinito. Sei que as dimensões impiedosas da Vida   ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo, nesta insignificância, gratuita e desvalida,   Universo sou eu, com nebulosas e tudo. António Gedeão

Por debaixo da pele!

O amor assusta o medo. As palavras que te digo vêm de longe. Passam por mim como se não fosse ninguém. São flechas a rasgar o ar em volta. As palavras que te escrevo são tuas muito antes de serem minhas. És tu que as escreves em mim. Por debaixo da pele. P edro Paixão

Simplesmente a consumir O2

“ Oh chega de decepções, estou tão machucada, me doem a nuca, a boca, os tornozelos, fui chicoteada nos rins. Um sopro de vida ”  Clarice

Outros eus

quantos sou (?) é o que me pergunto... e me reconheço frágil ou me desconheço forte, indo para o sul sempre buscando o norte, sou poeta e professor, sou pai e filho, irmão, amigo e amor, sou palhaço e o que não sabe o que faço; sou vários, mas não sou todos, sou muitos, e não sei tudo. talvez não haja cadeira suficiente para meus eus. Igor Ravasco

Woolf, V.

A verdade é que eu  gosto  sempre  das mulheres. Gosto da falta de convencionalismo delas. Gosto da integridade delas. Gosto do anonimato delas. Virginia Woolf

Grãos!

Quero dar-te a coisa mais pequenina que houver bago de arroz grão de areia semente de linho suspiro de pássaro pedra de sal som de regato a coisa mais pequena do mundo a sombra do meu nome o peso do meu coração na tua pele. Rosa Lobato de Faria

Revista Bula

excitação biológica, pp.039 de 533

"Quantas Línguas existem? As suficientes para não as conseguirmos contar. E em cada uma delas se pensa. Mais: em cada uma delas se pensa como em nenhum sítio, neste caso, como em nenhuma Língua. Nesse sentido, a questão da tradução pode ser vista num âmbito mais físico, mais biológico, como na abordagem de Nietzsche: O que é mais difícil de traduzir de uma língua para outra é o ritmo do seu estilo, (...) ou, para me exprimir mais fisiologicamente, o ritmo médio do seu "metabolismo". Cada Língua é um percurso de excitações biológicas; no entanto, mais do que se pensar - visão perigosa - em organismos que determinam certas Línguas, devemos pensar no inverso: a Língua, a forma como as palavras se dizem, determina o matabolismo. Uma palavra dita resulta e é resultado de um esforço fisiológico, esforço aperfeiçoado geração após geração, sendo que agora a sua dificuldade não se nota. É importante assinalar que se investiga -quando se investigam ideias - nu...

Letras de Luisa Sobral

Todo o poeta ou escultor Todo o actor ou escritor Sonha um dia amar assim Sonha ter alguém para si Todo o cantor, compositor Largava tudo por este amor Por um dia amar assim Por um beijo num banco de jardim Mas o amor não é para qualquer um Ser artista não é uma vantagem Os artistas amam um dia Vendo amor apenas de passagem Quando o poeta sentir a dor Da mais antiga história de amor Só então vai entender Porque Inês amou até morrer Mas o amor não é para qualquer um Ser artista não é uma vantagem Os artistas amam um dia Vendo amor apenas de passagem Vendo amor apenas de passagem ...

A vida de Adele ou azul, a cor mais quente

“L'amour est quelque chose de trop abstrait et d'indiscernable. Il est dépendant de nous perçu et vécu par nous. Si nous n'existions pas, il n'existerait pas. Et nous sommes tellement changeants... Alors l'amour ne peut que l'être aussi. L'amour s'enflamme, trépasse, se brise, nous brise, se ranime...: nous ranime. L'amour n'est peut-être pas éternel mais nous, il nous rend éternels... Par-delà notre mort, l'amour que nous avons éveillé continue d’accomplir son chemin.”  ―  Julie Maroh ,  Le bleu est une couleur chaude   Tudo começou com Julie Maroh, autora da BD que deu origem ao filme. Porém, não existe filme sem os comentários e relatos que envolveram a rodagem do filme.   Nem sei se existe galardão sem os comentários. Claro que existe, para os cinéfilos. Entre o olhar na passadeira (onde de forma perfeita Adéle mostra aquilo que será daqui para a frente a imagem do “amor à primeir...