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Mensagens

Ana Cañas

A SENHORA CLAP e o mundo na palma das mãos

Vaz, M.D. 2015.  A SENHORA CLAP e o mundo na palma das mão. EDITORA GRUPO PLANETA A SENHORA CLAP e o mundo na palma das mãos, poderia começar assim:  As populações costeiras das Ilhas dos Mares do Sul, com muito raras exceções, são, ou eram antes da sua extinção, peritas em navegação e comércio. Algumas delas desenvolveram excelentes tipos de canoas de navegação em alto mar, nas quais embarcavam para expedições comerciais distantes ou incursões de guerra e conquista. Os Papua-Melanésios, que habitam a costa e as ilhas longínquas da Nova Guiné, não são exceção a esta regra. Trata-se, de um modo geral, de marinheiros corajosos, artesãos habilidosos e negociantes argutos , (Malinowsky, 1922 ), ou assim, qualquer pessoa que tenha vivido com tribos primitivas, que tenha partilhado as suas alegrias e tristezas, as suas privações e abundâncias, que veja nelas não apenas objetos de estudo a serem examinados, como células a um microscópio, mas seres humanos pe...

U - Aleatórios deleuzianos ou quando os universais nada têm a ver com filosofia

http://pt.forwallpaper.com/wallpaper/the-cosmos-the-universe-the- planets-sun-stars-188643.html U de Uno CP : U, V, W, X, Y, Z. É o fim e vamos ser rápidos. U de Uno; V de Viagem; W de Wittgenstein, X, o Desconhecido, Y vamos deixar para os neo-platonicianos e Z fecha e ilumina. U é Uno. GD : Uno. CP : Sim, Uno. A Filosofia ou a Ciência cuidam do universal. No entanto, você diz que a Filosofia deve manter contato com as singularidades. Existe um paradoxo? GD : Não há paradoxo, porque a Filosofia, e até mesmo a Ciência, não tem nada a ver com o universal. São idéias preconcebidas de opiniões. A opinião sobre a Filosofia é que ela cuida do universal. E a opinião sobre a Ciência é que ela cuida de fenômenos universais que podem se repetir. Mesmo se pegar a fórmula de que todo corpo cai, o importante não é que todos os corpos caem e, sim, a queda e as singularidades da queda. Que as singularidades científicas como as da matemática, da física ou da quím...

Scuola di Atene, Raphael

Numa época em que saber não é valorizado. Num tempo onde ler e ler e ler nada vale. Num tempo onde se constroem verdades sem sentido nenhum, recordar a Escola de Atenas, ou Academia de Atenas, de Rafael faz todo o sentido. Quando se opta pela promoção de uma sociedade big brother, de ignorantes encartados, que  vivem de forma mais confortável do que quem gasta todo o tempo a queimar pestanas, promovida por um Estado que não aprecia quem estuda nem quem pensa, porque o mercado liberalizado não compra, este quadro torna-se relevante. Lembro Platão: o maior inconveniente da escrita, caro Fedro, se bem julgo, com a pintura. As figuras pintadas têm atitudes de seres vivos, mas se alguém as interrogar, manter-se-ão silenciosas, o mesmo acontecendo com os discursos: falam das coisas como se estas estivessem vivas, mas, se alguém os interroga, no intuito de obter um esclarecimento, limitam-se a repetir sempre a mesma coisa. É interessante perceber como a escrita produz o falso...

Importações do FB

Viro-me para o lado direito,  para poupar o lado mais gasto do meu corpo  e não amassar o meu coração cs BEIJINHO-TE parece-me bem cs Por muitos corpos dissecados não é garantido que encontres, alguma vez, a alma na ponta do bisturi (meus esboços. cs)

Francis Bacon (1909-1992)

Na história da relação de Francis Bacon (1909-1992) com o retrato do Papa Inocêncio X, de Velázquez(1599-1660) o que fascina é   a relação de Bacon com a sua vida de tensão e transgressão entre a religião e o sexo, os seus tabus resultando a sua visão do mundo muito original. Bacon acompanha-me nos meus estudos sobre anatomia e os seus (dele) sobre o corpo. O corpo em Bacon   surge entre fantasias (pedófilas e masoquistas) que ainda hoje chocam. A sua ligação a técnicas de dissecação forense e o destaque que vai dando aos fluidos corporais como o sangue, bílis, urina etc. e a maneira como usa o espaço-corpo para os seus devaneios e exercícios de criatividade, sensibilidade e até pensamento são deveras ímpares.

Julia Hülsmann Quartet - Snow, melting

Cresceste por mim.....tornar azeite o leite do peito

Erik Poppe e Juliette Binoche

Hoje vi um filme belíssimo. Sim, hoje vi um filme belíssimo.  Mil vezes Boa noite vive sobre o ressentimento daqueles que preferem saber o paradeiro de Paris Hilton do que das guerras que afligem o planeta,e embrulha tudo isto num drama doméstico.  Não são necessários grandes diálogos, apenas a câmara seguir Juliette Binoche, seguir o olhar de Juliette Binoche, aqui absolutamente sublime.  Desde do salto de um camião para assistir a um funeral, do que viria a ser uma mulher bomba até à explosão no meio de uma multidão. Aquilo de que falo é de uma fusão de sentidos, entre Rebecca e a trama. Todos os ambientes passam pelos sentidos de Binoche, e até algumas frases planfetárias, como li algures,aqui tornam-se naturais e é no silencio que tudo se desenrola. É na fotografia que ela impõe o limite, na próxima fotografia e como diz Rebecca: "Quero que, pela manhã,   os que estão a tomar café e a ler o jornal se engasguem até reagirem." ...

Ou contextos descontextualizados....

Fevereiro 2015

encontrada na internet, sem autor "...morreste-me. Mas a memória guarda-me o teu cheiro, as tuas mãos e o teu sorriso. Estás em nós e eu estou em ti. Eu jamais seria eu sem a tua presença constante na minha vida. Comparência que eu gostaria de poder prolongar. Mantenho a memória acesa com pedaços de imagens que me fazem sorrir. Deixaste-te ficar em tudo... os teus movimentos, o eclipse dos teus gestos. E tudo isto é agora pouco para te conter. Agora, és o rio e as margens e a nascente; és o dia, e a tarde dentro do dia, e o sol dentro da tarde; és o mundo todo por seres a sua pele". José Luís Peixoto

Deve ser o último tempo

Deve ser o último tempo A chuva definitiva sobre o último animal nos pastos O cadáver onde a aranha decide o círculo. Deve ser o último degrau na escada de Jacob E último sonho nele Deve ser-lhe a última dor no quadril. Deve ser o mendigo à minha porta E a casa posta à venda. Devo ser o chão que me recebe E a árvore que me planta. Em silêncio e devagar no escuro Deve ser a véspera. Devo ser o sal Voltado para trás. Ou a pergunta na hora de partir.   Daniel Faria  de Explicação das Árvores  e de Outros Animais 1998