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Mensagens

2013/2014

2013. Aconteceram momentos. O TEMPO, é do que me lembro quando viro uma folha no calendário.  Existem coisas que "só o TEMPO há-de resolver", e existem outras, que "nem o TEMPO há-de resolver". Retirei estas duas frases do último texto do MEC, deste ano,  que as cita de ouvido de Luis Stau Monteiro, acerca da forma como arrumava os processos no seu escritório. No ano existem dois TEMPOS: O TEMPO dos momentos que ficam na memória/saudades com ou sem dor e o TEMPO dos momentos nada. Quero ficar na memória com algum /pouco tempo de momentos em que acreditei, gostei, gargalhei, investi, fui. Não me importa os outros, mesmo que tenham ocupado muito espaço neste TEMPO que são os 365 dias. Basicamente, o ano acabou como começou e eu com mais TEMPO vivido no ESPAÇO de um ano. UM BOM ANO 2014 para quem ainda resiste e por aqui vai passando.

A vida de Adele ou azul, a cor mais quente

“L'amour est quelque chose de trop abstrait et d'indiscernable. Il est dépendant de nous perçu et vécu par nous. Si nous n'existions pas, il n'existerait pas. Et nous sommes tellement changeants... Alors l'amour ne peut que l'être aussi. L'amour s'enflamme, trépasse, se brise, nous brise, se ranime...: nous ranime. L'amour n'est peut-être pas éternel mais nous, il nous rend éternels... Par-delà notre mort, l'amour que nous avons éveillé continue d’accomplir son chemin.”  ―  Julie Maroh ,  Le bleu est une couleur chaude   Tudo começou com Julie Maroh, autora da BD que deu origem ao filme. Porém, não existe filme sem os comentários e relatos que envolveram a rodagem do filme.   Nem sei se existe galardão sem os comentários. Claro que existe, para os cinéfilos. Entre o olhar na passadeira (onde de forma perfeita Adéle mostra aquilo que será daqui para a frente a imagem do “amor à primeir...

Natal é: embrulhando e desembrulhando expectativas

O Príncipe Feliz Lá no cimo da cidade, numa coluna muito alta, estava a estátua do Príncipe Feliz. Estava coberto com finas folhas de ouro maciço, tinha duas brilhantes safiras como olhos e um enorme rubi vermelho brilhava no cabo da sua espada. Era realmente muito admirado. — Ele é tão bonito como um catavento — comentou um dos Conselheiros da Cidade, que queria ganhar reputação por ter gostos artísticos. — Só que não é tão útil — acrescentou, temendo que pensassem que ele não era uma pessoa prática, e realmente não era. — Porque é que tu não és como o Príncipe Feliz? — perguntou uma mãe sensível ao seu filhinho que estava a chorar pela lua. — O Príncipe Feliz nem sequer sonha em chorar por alguma coisa. Festas Felizes:)

Ainda a "dieta" mediterrânica

Sobre a dieta mediterrânica portuguesa ser classificada como Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO, li agora mesmo uma chamada de atenção de uma cientista portuguesa (escuso de dizer o nome já que a informação gira dentro de uma Mailling list privada), que seria uma boa notícia para Portugal e para a Antropologia se não se tratasse de uma falácia. Neste ciclo de conferência, http://www.gulbenkian.pt/object160article_id4030langId1.html , foi recentemente demonstrado que esta dieta não é mais do que uma construção das “Ciências da Nutrição” . Assim, parece que sob a máxima de saudável (?) gera-se um cabaz de produtos que se tornam mais comercializáveis. Refere a cientista, em tom de ironia (penso eu) que são boas noticias, portanto!

Serenidade és minha

Hoje

apetece-me vestir abraços.

Em legítima defesa

                Duarte Belo Sei hoje que ninguém antes de ti morreu profundamente para mim Aos outros foi possível ocultá-los na sua irredutível posição horizontal sob a capa da terra maternal Choramo-los imóveis e voltamos à nossa irrequieta condição de vivos Arrumamos os mortos e ungimo-los São uma instituição que respeitamos e às vezes lembramos celebramos nos fatos que envergamos de propósito nas lágrimas nos gestos nas gravatas com flores e nas datas num horário que apenas os mate o estritamente necessário mas decerto de acordo com um prévio plano tu não só me mataste como destruíste as ruas os lugares onde cruzámos os nossos olhos feitos para ver não tanto as coisas como o nosso próprio ser A cidade é a mesma e no entanto há portas que não posso atravessar sítios que me seria doloroso outra vez visitar onde mais viva que antes tenho medo de encontrar-te Morreste mais que todos os meus mortos pois esses arrumei-os festejei-os e...

Anatomia de vontades

UM AMOR A proximei-me de ti; e tu, pegando-me na mão,  puxaste-me para os teus olhos  transparentes como o fundo do mar para os afogados.  Depois, na rua,  ainda apanhamos o crepúsculo. As luzes acendiam-se nos autocarros; um ar diferente inundava a cidade. Sentei-me nos degraus do cais, em silêncio. Lembro-me do som dos teus passos, uma respiração apressada, ou um princípio de lágrimas, e a tua figura luminosa atravessando a praça até desaparecer. Ainda ali fiquei algum tempo, isto é, o tempo suficiente para me aperceber de que, sem estares ali, continuavas ao meu lado. E ainda hoje me acompanha essa doente sensação que me deixaste como amada recordação. Nuno Júdice, 'A Partilha dos Mitos'

Domingo e a minha música!

A poesia

“Em face da sua imagem ou da sua sombra, o homem realiza um dia o encontro decisivo com os seus limites. A aventura misteriosa de Narciso repete-se desde a infância em frente de cada espelho. Gostaríamos de nos tocar do lado de lá sem quebrar o vidro ou turvar a água. E como Peter Schlemmil pouco importaria vender a sombra ao Diabo, e com isso o tempo se detivesse sobre o nosso rosto e pudéssemos ser, fosse um só instante, a absurda criatura imóvel e transparente que nos sonhamos. A aventura é impossível pois a imagem e a sombra são reais. Isso significa que um mundo nos cerca, nos divide e nos limita. Jamais seremos esse que pode ver-se face a face. Mas o jogo é demasiado sério para o perdermos ao primeiro gesto. Se não nos podemos olhar procuremos entre os monstros, os demónios e os deuses que criamos, esse rosto impassível que o vento e a chuva de cada dia não nos consentem. Foi assim que o encontro com um monstro nos ofereceu aquilo que as divindades excessivamente mag...

Loading...a esquecer...!

Lembro-me do teu andar na minha direção e do primeiro olhar. Lembro-me do esforço que fazia para ali mesmo não te respirar e o apenas te sorrir. Lembro-me da dor que era deixar-te e em passo sereno correr para casa como se esse ato encurta-se o tempo de voltar Lembro-me de esconder o aperto que me dava não estar mais perto de ti.  Lembro-me do medo de todos perceberem que estava apaixonada Lembro-me da quietude   do teu abraço e do consolo do teu beijo. Lembro-me do teu corpo nos meus abraços e braços. Mas...mas o tempo. Sim o tempo... O teu rosto teimosamente se   desvanece nos sonhos, o teu sorriso, a tua voz... Foge-me o bocadinho que começavas a ser em mim. cs