Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Agosto num Elegia de Setembro! 2013

Não sei como vieste,  mas deve haver um caminho  para regressar da morte.  Estás sentada no jardim,  as mãos no regaço cheias de doçura,  os olhos pousados nas últimas rosas dos grandes e calmos dias de setembro. Que música escutas tão atentamente que não dás por mim? Que bosque, ou rio, ou mar? Ou é dentro de ti que tudo canta ainda? Queria falar contigo, dizer-te apenas que estou aqui, mas tenho medo, medo que toda a música cesse e tu não possas mais olhar as rosas. Medo de quebrar o fio com que teces os dias sem memória. Com que palavras ou beijos ou lágrimas se acordam os mortos sem os ferir, sem os trazer a esta espuma negra onde corpos e corpos se repetem, parcimoniosamente, no meio de sombras? Deixa-te estar assim, ó cheia de doçura, sentada, olhando as rosas, e tão alheia que nem dás por mim. Eugénio de Andrade Pequena Elégia de Setembro in, Coração do dia

"Two Mothers" em português "Paixões proibidas"

"Two Mothers" é ao mesmo tempo provocante e empático. Parece que o propósito é provocar alguma reflexão e mexer com as nossas certezas construídas. Mais que o certo e errado existe vida edificada no tempo.

Cora Coralina

“Meus amigos me esqueceram. As revistas que apareceram em Goiânia, jamais me pediram uma crônica sequer. Eu poderia ter colaborado e muito. Havia muita coisa a ser escrita dentro da história de Goiás. Preferiram encomendar crônicas de fora, Eneida e outros nomes, que falavam da Guanabara. Eu fui ficando de lado, angustiada, aborrecida, frustrada. Por isso dediquei-me de corpo inteiro a fabricação de doces, sem deixar de escrever meus contos e poemas. É uma espécie de revolta que tenho comigo. Escrevi bastante naquela época, mas nunca bati na porta de ninguém para a publicação de meus trabalhos. (...) Ai está o motivo de meu apego aos doces, é uma réplica a esse alheamento que os jornais fizeram da minha pessoa literária.” Cora Coralina

A espera!

A bengala, as moedas, o chaveiro, a dócil fechadura, essas tardias notas que não lerão meus poucos dias que restam, o baralho e o tabuleiro, um livro e dentro dele a esmagada violeta, monumento de uma tarde por certo inolvidável e olvidada, o rubro espelho ocidental em que arde uma ilusória aurora. Quantas coisas, limas, umbrais, atlas, copos, cravos, nos servem como tácitos escravos, cegas e estranhamente sigilosas! Durarão para além do nosso olvido e nunca saberão que já nos fomos. jorge luís borges

Rembrandt Harmenszoon van Rijn

"A Lição de Anatomia do Dr. Tulp" tornou-se a obra de arte mais conhecida da anatomia do corpo humano. Um quadro com alguns detalhes interessantes. Desde o nome do autor e data de conclusão da obra num quadro de uma parede, numa tentativa de tornar a obra imaculada;Um dos alunos tem na mão um papel que se achou seriam o nome de músculos do antebraço e não é mais do que a lista dos alunos presentes na sala; um dos erros da obra é o local onde nascem os músculos flexores superficiais que aqui nascem do epicôndilo lateral e deveriam ser originários no epicôndilo médio do úmero. O corpo é de um ladrão que foi enforcado e acredita-se que o braço esquerdo  não pertence ao corpo dissecado, mas ao de um outro cadáver. Nota-se bem que é maior que o direito. Também, segundo o RX  que se fez à obra, mostra que inicialmente a mão direita do cadáver não tinha dedos. Rembrandt pintou-a baseando-se na mão de outra pessoa;uma mão parece que diferente daquela que seria a de um v...

Adalgisa Nery

"As portas do meu ser, lentamente, se abrem e despejam na imobilidade da noite todas as imagens que participaram dos meus erros e dos meus acertos ocasionais. Elas se levantam impiedosas, confabulam, discutem a minha pessoa humana, apalpam as minhas carnes sofridas, fazem perguntas irrespondíveis e depois largam-me desunida de mim mesma. Num trágico sentido de matéria desprezível, no fundo do meu raciocínio há qualquer obstáculo intransponível que me impede fixar se esse desterro, em que estou jogada, é oriundo de alguma palavra, gesto recente ou remoto. Numa paralisação completa sinto o movimento das raízes da minha origem procurando alcançar o meu pensamento. O vigor da vontade sobre a integridade dos meus sentidos se esfacela na luta de analisar os vagos traços de ligação na soma de experiências, erros e ímpetos mal distribuídos durante a minha vida, que, afinal, está resumida apenas numa simples contagem de anos. [...]" - Adalgisa Nery, ‘trecho’ do rom...

Guilherme de Melo!

Gostava dele. Da sensibilidade, da honestidade, da vida de verdade.

Celestial

Quando tentei ser santo, Queria apenas ser um santo Sem compromisso De fazer milagres. Seria uma espécie de santo avulso, Desses que permanecem Desconhecidos no céu E que só vêem Deus De muito longe, Sem direitos a carro oficial Álvaro Alves de Faria

Um livro!

Tenho uma série de rascunhos; meios artigos; parcelas de artigos que não me cabem nas 7000 palavras dos artigos; restos de tese que dispensei. Um dia escrevo um livro e vejo-me livre disto tudo.

1984. Porque comecei a gostar de ficção?

Estive tentada a fazer um post com algumas das capas do livro  1984 , de Orwell. 1984 de George  Orwell, publicado em 1949 pela primeira vez, e O Admirável Mundo Novo , de A. Huxley, de 1932 são duas obras que se centram em tecnologias bastante diferentes mas que moldaram o mundo durante grande parte da segunda metade do século XX.  De Aldous Huxley outra altura falarei. 1984, é  um livro de ficção, e centra a sua análise no que hoje chamamos o mundo da informação. Defendia que o desenvolvimento destas tecnologias as tornariam responsáveis pelo sucesso de um vasto poder totalitário, sobrevivia num  telescreen, um ecrã plano do tamanho de uma parede, que podia, ao mesmo tempo, enviar e receber mensagens de cada casa para um Big Brother  que nos sobrevoava a todos. Esta informação era toda centrada num Ministério da Verdade e do Amor.  Permitiria centrar toda vida social, porque facultava ao governo a supressão da...

20 de Junho 2013. O dia de anos do meu Pai!

Memórias em fusão!

"Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na  esperança de ele se cansar."   Miguel Esteves Cardoso,   in   Último Volume

Coisas que encontro no FB

:)

O retorno. 2012

"A mãe insiste para que o pai se sirva da carne assada. A comida vai estragar-se, diz, este calor dá cabo de tudo, umas horas e a carne começa a esverdear, se a ponho na geleira fica seca como uma sola. A mãe fala como se hoje à noite não fossemos apanhar o avião para a metrópole, como se amanhã pudéssemos comer as sobras da carne assada dentro do pão, no intervalo grande do liceu. Deixa-me, mulher. Ao afastar a travessa o pai derruba a cesta do pão. A mãe endireita-a e ajeita as côdeas com o mesmo cuidado com que todas as manhãs ordena os comprimidos antes de os tomar. O pai não era assim antes de isto ter começado. Isto são os tiros que se ouvem no bairro acima do nosso. E as nossas quatro malas por fechar na sala." Dulce Maria Cardoso.  O retorno. 2012:7 Confesso que voei para o baú das minhas memórias e da minha vinda para a metrópole. Não tão penoso, felizmente não estive em nenhum hotel como este livro descreve, nem tive ou senti grandes dor...

BASTILLE. Recomenda-se muito!

O som desta 2ª feira do ano de 2013, do mês de junho. D.C. Boa semana!

Metamorfose Ambulante-Raul Seixas

Sonhos

Como quem procura conchas à  beira do mar, escolho as palavras para te dizer, quando o silêncio dos teus braços vestir o frio dos meus ombros. Luísa Dacosta

Imprint de memórias!

"Memória não é uma duplicação exata do original ... é um ato contínuo de criação. Imagens oníricas são o produto dessa criação. " Rosalind D. Cartwright

ExoHand – human-machine interaction

Nova interação entre humanos e máquinas.  Um novo exoesqueleto que pode ser usado como luva.  Permite a ativação dos dedos e o controlo exterior da força, que pode até ser ampliada em tempo real. Dizem os seus autores que o objetivo é aumentar a força e resistência da mão humana para alargar o âmbito de acção dos humanos.  Consigo ver alguma utilidade em certas patologias ou num estado avançado da idade, talvez até, usada em doentes com AVC como um manual de ortese ativa. A industria parece que também lhe vê qualidades. Mas o que me interessa é a ferramenta que suporta o lado humano de fora e reproduz os graus fisiológicos de liberdade ( mesmo resultante da geometria das articulações), repito, de fora para dentro.  http://www.festo.com/cms/en_corp/12713.htm

LOUIS ARMSTRONG With David Attenborough BBC One

I see trees of green, red roses too I see them bloom, for me and you And I think to myself What a wonderful world I see skies of blue, and clouds of white The bright blessed day, dark sacred night And I think to myself What a wonderful world The colors of the rainbow, so pretty in the sky Are also on the faces, of people going by I see friends shaking hands, sayin', "How do you do?" They're really sayin', "I love you" I hear babies cryin', I watch them grow They'll learn much more, than I'll ever know And I think to myself What a wonderful world Yes, I think to myself What a wonderful world Oh yeah!