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Mensagens

Scuola di Atene, Raphael

Numa época em que saber não é valorizado. Num tempo onde ler e ler e ler nada vale. Num tempo onde se constroem verdades sem sentido nenhum, recordar a Escola de Atenas, ou Academia de Atenas, de Rafael faz todo o sentido.
Quando se opta pela promoção de uma sociedade big brother, de ignorantes encartados, que  vivem de forma mais confortável do que quem gasta todo o tempo a queimar pestanas, promovida por um Estado que não aprecia quem estuda nem quem pensa, porque o mercado liberalizado não compra, este quadro torna-se relevante.

Lembro Platão:o maior inconveniente da escrita, caro Fedro, se bem julgo, com a pintura. As figuras pintadas têm atitudes de seres vivos, mas se alguém as interrogar, manter-se-ão silenciosas, o mesmo acontecendo com os discursos: falam das coisas como se estas estivessem vivas, mas, se alguém os interroga, no intuito de obter um esclarecimento, limitam-se a repetir sempre a mesma coisa.

É interessante perceber como a escrita produz o falso conhecimento. Num …

Importações do FB

Viro-me para o lado direito, 
para poupar o lado mais gasto do meu corpo 
e não amassar o meu coração
cs

BEIJINHO-TE
parece-me bem
cs

Por muitos corpos dissecados não é garantido que encontres, alguma vez, a alma na ponta do bisturi
(meus esboços. cs)

Francis Bacon (1909-1992)

Na história da relação de Francis Bacon (1909-1992) com o retrato do Papa Inocêncio X, de Velázquez(1599-1660) o que fascina é a relação de Bacon com a sua vida de tensão e transgressão entre a religião e o sexo, os seus tabus resultando a sua visão do mundo muito original. Bacon acompanha-me nos meus estudos sobre anatomia e os seus (dele) sobre o corpo. O corpo em Bacon surge entre fantasias (pedófilas e masoquistas) que ainda hoje chocam. A sua ligação a técnicas de dissecação forense e o destaque que vai dando aos fluidos corporais como o sangue, bílis, urina etc. e a maneira como usa o espaço-corpo para os seus devaneios e exercícios de criatividade, sensibilidade e até pensamento são deveras ímpares.

Julia Hülsmann Quartet - Snow, melting

Cresceste por mim.....tornar azeite o leite do peito

Erik Poppe e Juliette Binoche

Hoje vi um filme belíssimo. Sim, hoje vi um filme belíssimo.  Mil vezes Boa noite vive sobre o ressentimento daqueles que preferem saber o paradeiro de Paris Hilton do que das guerras que afligem o planeta,e embrulha tudo isto num drama doméstico.  Não são necessários grandes diálogos, apenas a câmara seguir Juliette Binoche, seguir o olhar de Juliette Binoche, aqui absolutamente sublime.  Desde do salto de um camião para assistir a um funeral, do que viria a ser uma mulher bomba até à explosão no meio de uma multidão. Aquilo de que falo é de uma fusão de sentidos, entre Rebecca e a trama. Todos os ambientes passam pelos sentidos de Binoche, e até algumas frases planfetárias, como li algures,aqui tornam-se naturais e é no silencio que tudo se desenrola.