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Mensagens

2013

Merry Christmas , amigos!!

Um comunista

Só entre nós...outra boa prenda de Natal

«Nada há de mais compensador na realidade física do que o sexo. Quando nos fundimos no outro parecemos ser um apenas; e mesmo quando corre mal, ou não tão bem como desejávamos, há qualquer coisa em nós que ameaça estalar. Mas o amor é outra coisa, encontramo-lo noutros territórios. Por isso ambiciono achar alguém a quem amar e com quem possa envelhecer - única forma de, num dia que espero distante, fundir-me apenas com o olhar e um gesto. Porque os homens e as mulheres quando envelhecem, e retiram da vida o suficiente, já não têm sexo nem urgências. São anjos em espera». Luís Osório, Só entre nós, 2012:7

"Deitava-me no sofá e chorava por antecipação. Não queria que morresse. Porque haveria de morrer se dela precisava? Tenho essa memória: a minha avó materna na máquina de costurar e eu em contas de cabeça. Morreu há muito, o funeral foi no dia dos meus anos. Vendo bem as coisas como podia não ser? É uma alegria quando a ela regresso, uma felicidade saber que estou acompanhado por um…

Ada Lovelace

Coisas que ouço por aí!

Uma pequena maravilha roubada por aí, pela "blogosfera", cada vez mais rica.




Encontrado num excelente blogue. 
Amor e outros desastres.


Representações mentais

o frio chegou e fui buscar o velho casaco.

Ao apertá-lo senti-me quente e redescobri o teu cheiro.
cs


cs

Bliss

Poema de Alberto Caeiro

Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia, Não há nada mais simples Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte. Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.

Sou fácil de definir. Vi como um danado. Amei as cousas sem sentimentalidade nenhuma. Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei. Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver. Compreendi que as cousas são reais e todas diferentes umas das outras; Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento. Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.

Um dia deu-me o sono como a qualquer criança. Fechei os olhos e dormi.
Além disso, fui o único poeta da Natureza. 


Como eu gosto dos sentidos em Pessoa.
Como eu gosto dos "chutos" que ele dá ao pensamento

Evolução Humana - a tecnologia extensão literal do corpo humano!

Vivo no meio de computadores, iPAD, smartphones e Android. Transformo-me numa ciborguiana.  Já não sobrevivo sem a tecnologia. Não a sinto fora de mim, sinto-a em mim (acho que já li isto em qualquer lado).
Sobrevivo num complexo sistema de dispositivos de alta tecnologia. Nem a todos  domino e tornei  "dóceis", usando a terminologia foucauliana.

Mas são uma terrível presença hegemónica na minha vida. Estou sempre comunicável, por telemóvel ou sms,  localizada através de GPS. Ninguém me vê com os olhos mas tenho um corpo sempre localizado. Sinto-o, quase,  biologicamente sincronizado com as tecnologias. Os seus sons acordam-me e, sem mácula aparente, re - adormeço descansada. 

Inconscientemente o meu corpo está robotizado como o dos ANDRÓIDES.

Uma encruzilhada entre o mundo analógico, que sou,  e um mundo  digital que me envolve e enlaça. Sinto-me incompleta sem esta tecnologia que me rodeia.  Despida de parte de mim. 

O meu PC, o meu iPAD, o meu Androide, os meus E-Books e uma q…

Agostinho da Silva

Rodrigo Leão , 27 de Novembro 2012. Coliseu do Porto

Ser condescendente nem sempre é uma boa solução...

Quando me dou conta que estive a perder o meu tempo em conversas com  pessoas que baralham o direito de dizerem o que pensam com a obrigação que todos devemos ter de respeitarem os outros.
Que escondem esta enorme falta de educação e conveniente ignorância atrás do " ai e tal ,  eu sou muito frontal e verdadeira"  ou, ainda pior, " aí e tal …estava aqui entalada( e apontam sempre para a garganta) e não sou pessoa de levar para casa…" (esta frase sempre a arrematar o raciocínio anterior) já lhe tinha dito…"sou muito verdadeira".
Quando me apercebo que dei confiança a gente com baixo nível e rude, que se esconde nestas premissas, odeio-me. 
Sinto-me  a descer à cave, com aquela sintomatologia que vulgarmente se associa à urticaria … brgggggg que NERVOS.
Boa semana para as boas pessoas que eu vou ali ver o Rodrigo Leão!

Poesia Reunida...ora aqui está uma boa prenda de Natal

Se alguém me perguntar, hei-de dizer que sim, 
que foi verdade - que não amei ninguém depois de ti
nem o meu corpo procurou mais outro incêndio 
que não fosse a memória 
de um instante junto do teu corpo;

Maria do Rosário Pedreira, in Poesia reunida.

Ao Espelho!

Porque insistes, espelho permanente?
Porque duplicas, misterioso irmão,
O menor movimento desta mão?
Porquê o teu reflexo de repente?
És o outro eu de que falou o grego
E espreitas desde sempre. Na lisura
Da água incerta ou do cristal que dura
Procuras-me e é inútil eu estar cego.
O não te ver, mas o saber que existes
Acrescenta-te horror, poder com que ousas
Multiplicar o número das coisas
Que somos e as nossas sinas tristes.
Quando eu morrer, vais copiar um outro
E depois outro, outro, outro, outro...



JORGE LUIS BORGES in A ROSA PROFUNDA, 
in OBRAS COMPLETAS III 1975-1985, trad. de 
FERNANDO PINTO DO AMARAL (Teorema, 1998)

Do trapézio, sem rede

Esta


Esta cabeça sem dúvida vai matar-me.
Não pára de pensar.
Expliquei-lhe mil vezes a inutilidade dos pensamentos,
demonstrei-lhe as razões para desesperar,
mas ela não pára de pensar.
Digo-lhe: está bem,
pensaremos até que o pensamento se esgote.
Então ela adormece por fim apesar de si mesma,
e acorda manhã cedo,
acende um cigarro, toma o café antes de mim
e recorda as histórias de ontem e os pensamentos de ontem.
Lavo-a, e continua a pensar.
Penteio-a, e continua a pensar.
Envio-a ao barbeiro, e continua a pensar.

Mas quando quero pensar num problema que me extenua
ou em alguma coisa que me interessa,
ela geme de dor como se lhe estivesse a bater com um machado.
Esta cabeça vai matar-me.


(Roubado aqui   Antología libanesa moderna,Norteysur, Málaga, 2005, pp. 39-40).

Dee Dee Bridgewater - Love for Sale