«Nada há de mais compensador na realidade física do que o sexo. Quando nos fundimos no outro parecemos ser um apenas; e mesmo quando corre mal, ou não tão bem como desejávamos, há qualquer coisa em nós que ameaça estalar. Mas o amor é outra coisa, encontramo-lo noutros territórios. Por isso ambiciono achar alguém a quem amar e com quem possa envelhecer - única forma de, num dia que espero distante, fundir-me apenas com o olhar e um gesto. Porque os homens e as mulheres quando envelhecem, e retiram da vida o suficiente, já não têm sexo nem urgências. São anjos em espera». Luís Osório, Só entre nós, 2012:7
"Deitava-me no sofá e chorava por antecipação. Não queria que morresse. Porque haveria de morrer se dela precisava? Tenho essa memória: a minha avó materna na máquina de costurar e eu em contas de cabeça. Morreu há muito, o funeral foi no dia dos meus anos. Vendo bem as coisas como podia não ser? É uma alegria quando a ela regresso, uma felicidade saber que estou acompanhado por um…